Publicado por: bikeanjorio | 23/09/2011

O primeiro Bike Anjo no Rio

Este post foi publicado originalmente no Blog “A vida de bicicleta”, em duas partes. Aqui segue na íntegra.

Amigos, este é mais um relato. Desta vez é sobre a minha experiência fazendo o primeiro “Bike Anjo” aqui no Rio.

Espero que ele seja útil a todos que pensam em ser ajudados, espero também que sirva para as pessoas entenderem melhor o que é o projeto.

Será uma honra se servir de exemplo aos Bike Anjos iniciantes.

O pedido

Recebemos aqui no Rio – através do JP (Bike Anjo de Sampa) – um pedido de ajuda para pedalar, era a Mariana, ela desejava se deslocar diariamente de casa para a faculdade.

Na prática os pedidos são centralizados em São Paulo, onde o projeto nasceu e é a referência nacional. Estamos aqui no Rio nos organizando para receber os pedidos por aqui, mas isso é outra história.

O JP enviou o pedido aos voluntários do Rio e quem pôde se ofereceu a ajudar. No fim, por conta das disponibilidades, quem foi fazer o Bike Anjo foi eu.

No pedido, a pessoa já passa informações básicas, como origem, destino e horário desejado.

A confirmação

Após confirmada a disponibilidade, enviei e-mail à Mariana marcando data, horário e local.

Nesta confirmação segui todas as coordenadas da “Cartilha do Bike Anjo”: antes de partir para a parte prática, indiquei as leituras sobre dicas no trânsito dadas no site do Willian Cruz (vá de bike), estas leituras são fundamentais à pessoa orientada, sem as quais não aconselhamos partir para a parte prática.

Reproduzo-as aqui:

Partindo para a prática

No dia marcado, liguei para a Mariana alguns minutos antes para confirmar, tudo certo.

Ao chegar lá, a Mariana me aguardava na portaria, já pronta e equipada.

Mais uma vez segui a cartilha: bati um papo inicial para levantar a experiência dela com bikes, as necessidades, dúvidas etc. Enfim, fiz uma anamnese.

Expliquei sobre o projeto, sobre nossa responsabilidade e a dela, dei todas as orientações teóricas iniciais: falei sobre a regulagem da bike, equipamentos obrigatórios e de segurança, como usar melhor a bicicleta (utilização das marchas), como se portar no trânsito e como seria feita a pedalada inicial. Verifiquei as regulagens da bicicleta (freios, marchas etc.), ensinei a regular o capacete e partimos para a parte prática.

A parte prática consiste inicialmente em dar umas pedaladas por perto para avaliar a pessoa pedalando, sua postura, segurança e experiência. Apenas após esta observação é que temos condições de avaliar se a pessoa está apta a andar no trânsito, ou mesmo no trajeto solicitado.

No caso da Mariana, o trajeto era bastante tranquilo, ela tinha um privilégio de poucos: pedalar 100% do trajeto na ciclovia (ou na faixa compartilhada, em alguns momentos).

Como o trajeto era de fato seguro e tranquilo, começamos a pedalar já na ciclovia. Orientei-a sobre o nosso posicionamento: para lhe dar mais segurança e poder observá-la, pedalava sempre um pouco atrás dela.

Chamei a atenção em especial para o respeito ao pedestre e à cordialidade com os outros e lá fomos nós.

Bem, para que o relato não ficasse muito longo, decidi dividi-lo, esta é apenas a primeira parte, em breve posto a continuação.

Ah! No próximo vou postar uma foto de nossa pedalada!

… …

Parte 2:

Depois de toda a orientação teórica inicial, partimos para o pedal. A Mariana estava ansiosa, apreensiva e animada, pois há muito não pedalava e se sentia muito insegura de fazê-lo. Ela tinha seus motivos que não cabe narrar aqui; o fato é que ela precisava desta ajuda.

A ida

Entramos na ciclovia lá no Humaitá. Esta parte da ciclovia é muito interrompida por semáforos, o que de fato foi bom, pois me deu muitas oportunidades se relatar as coisas à medida que as via, como ciclistas andando na contramão quase atropelando pedestres e outros males da cidade.

Paramos nos 3 semáforos até chegar à área mais contínua da ciclovia, já na Lagoa e fui orientando-a à medida que pedalava: seguia atrás dela, numa distância em que era possível me comunicar, ao mesmo tempo em que a deixava livre para alguma reação mais rápida em caso de emergência.

Durante a pedalada, falava sobre como agir em cada caso: um ciclista lento à sua frente, mães com crianças, pedestres da via (pois era uma via compartilhada),  ciclistas no sentido oposto, trechos apertados, ciclistas pedindo passagem vindo de trás etc. Em cada caso um comentário e uma ação a ser tomada.

Fiz questão de fazer o trajeto num ritmo que não a cansasse e não a deixasse insegura em relação a nada e tudo correu bastante bem.

A chegada ao destino

O trajeto em que ela solicitou ajuda previa a chegada na sua faculdade, na Lagoa, que fica na própria Epitácio Pessoa, à beira da ciclovia, mas a entrada era pela rua de trás. Como ela ainda não estava preparada para andar no trânsito, ao chegarmos à frente da faculdade, descemos das bicicletas, atravessamos o semáforo e as levamos empurradas, até a porta da faculdade.

Ao chegar lá orientei-a sobre os possíveis locais e formas de prender a bicicleta, de modo que ficasse segura e não atrapalhasse o trânsito das pessoas. Estudamos os locais possíveis, mostrei como prendê-la e conversamos um pouco para ter o feedback dela sobre o trajeto.

Nos preparamos para voltar.

A volta

Quem conhece um pouco a região sabe que a ciclovia circunda a Lagoa, de forma que seria possível voltar ao destino seguindo pelo outro lado. Fiz a sugestão a ela, pois seria uma forma de deixá-la mais segura nos 2 trajetos possíveis. E ela topou!

Fizemos o mesmo: voltamos empurrando as bikes até a ciclovia. Nesta ocasião, informei a ela que quando estivesse se sentindo mais segura e desejasse pedalar na rua, que nos chamasse novamente que lá estaríamos para ajudar.

A Mariana já estava bem mais relaxada e o pedal na volta fluiu bem: voltamos pelo lado do Leblon e Jardim Botânico, o pedal já fluía em tom de bate papo e menos em tom de orientação, pois a Mariana já estava se sentindo bem mais à vontade. Apenas chamei atenção sobre alguns pontos mais críticos e a volta fluiu como um bom passeio.

Ao final chegamos à casa da Mariana cerca de 2 horas depois da saída. Ao fim de tudo o melhor: a satisfação da ajuda e a alegria que vi nos olhos da Mariana pela sua superação.

Isso de fato não tem preço, não há dinheiro que pague!

Conforme prometido, e com a devida autorização dela, abaixo a foto de nosso pedal:

Mariana, parabéns!

Por Robson Combat

… …

Apenas um comentário final: amigos me perguntaram quanto custa a ajuda e repito aqui para ficar claro: o trabalho é voluntário, não custa nada, é de graça. Nós ajudamos porque acreditamos que a bicicleta pode melhorar a vida das pessoas.

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Responses

  1. […] Acabamos de publicar um post com o relato de um Bike Anjo feito por mim, ajudando a Mariana, no Rio de Janeiro (https://bikeanjorio.wordpress.com/2011/09/23/o-primeiro-bike-anjo/). […]

  2. E uma grande conquista, e também o fato de conscientizar toda população do movimento de ciclistas em nosso Estado.


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